A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que entrega o cargo, nesta quinta (11), a Sebastián Piñera, chega com 84% de popularidade ao fim do mandato, no qual enfrentou uma crise financeira e um terremoto que arrasou duas regiões do país. Ontem mesmo ela foi à televisão para responder algumas críticas que recebeu após a catástrofe, mas que, pelo visto, não abalaram sua imagem. De acordo com a Agência Brasil, Bachelet deixou no ar a possibilidade de disputar as eleições em 2014.
O que significa Sebastián Piñera para o Chile? Neoliberalismo na economia, gerencialismo na administração pública, tentativa de esvaziamento da "Concertación", diplomacia orientada para o dólar e o euro e polarização de posições ideológicas.
Por Antonio Lassance*, em Carta Maior
O Chile deve demorar entre seis meses e um ano para recuperar sua capacidade produtiva, afetada pelo terremoto de 8,8 graus de magnitude e o tsunami que atingiram o país no último sábado. A previsão foi feita por analistas chilenos e por empresários de diferentes setores — com a ressalva de que alguns itens de produção, como o vinícola, poderiam demorar ainda mais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (1º) que antecipará a visita ao Chile porque a situação no país é mais grave do que imaginava. Lula disse ainda que o Brasil vai fazer o possível para ajudar o Chile após o devastador terremoto de sábado. Por hora o Brasil já enviou um hospital de campanha e quatro equipes do corpo de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal para ajudar nas buscas. Para o presidente brasileiro, o mais importante agora é salvar vidas.
Ao menos 160 pessoas foram detidas nesta madrugada, na cidade de Concepción (Bio-Bio), a mais afetada pelo terremoto que devastou o centro-sul do Chile, onde foi decretado um toque de recolher noturno. A medida é uma tentativa de evitar saques. O terremoto, no sábado (27), causou pelo menos 711 mortes e deixou 2 milhões de desabrigados.
O terremoto no Chile vai abalar as expectativas econômicas para o país este ano, marcado por mudança no governo e pela saída da nação de uma profunda recessão, segundo relatório do Goldman Sachs disponível no blog do The Wall Street Journal.
Um potente terremoto de magnitude 8,8 atingiu a região central do Chile na madrugada deste sábado (27) sacudindo a capital Santiago por um minuto e meio e desencadeando um alerta de tsunami no Oceano Pacífico. Segundo as autoridades chilenas, pelo menos 120 pessoas morreram em decorrência do terremoto.
O presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, anunciou nesta terça-feira (9) em Santiago os nomes de seu futuro governo, que começa no dia 11 de março, data da posse. Piñera, que será o primeiro presidente de direita do país desde o ditador Augusto Pinochet (1973-1990), optou por um gabinete diversificado no geral, mas marcadamente conservador na área econômica.
Com três deputados eleitos em dezembro, o Partido Comunista volta ao Parlamento do Chile nesta quinta-feira (11), pela primeira vez desde o golpe do general Pinochet há 36 anos. Os eleitos decidiram que receberão salários equivalentes ao de um operário qualificado, entregando ao partido o resto dos vencimentos de deputado. Como prioridade, eles enfrentarão a ameaça de cassação do registro da legenda, devido à clausula de barreira vigente no Chile (de 5% dos votos ou quatro deputados).
Numa atitude antidemocrática, o Serviço Eleitoral do Chile cancelou na sexta (29) os registros de sete partidos políticos – entre eles o Partido Comunista -, sob o argumento de que não conseguiram obter 5% dos votos válidos nas eleições legislativas de dezembro, como seria exigido pelas regras locais. O presidente do PC, Guillermo Teillier considerou a medida um contra-senso, já que, depois de 36 anos fora do parlamento, sua legenda conseguiu eleger três deputados para a próxima legislatura.
É um furacão histórico o que o Chile acaba de viver, na sequência do 2º turno das eleições presidenciais no passado 17 de janeiro. Pela primeira vez, há mais de cinco décadas, a direita conquista o governo "pelas urnas": o último presidente de direita eleito foi Jorge Alessandri, em 1958. Referindo-se à transição democrática que pôs fim à ditadura de Augusto Pinochet (1973-1989), alguns analistas não hesitam em falar de uma "segunda transição".
Por Frank Gaudichaud, em Centre Tricontinental