É genocídio, sim: Não tínhamos que ter 100 mil mortes

A avaliação foi feita pelo médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em participação no UOL Debate de hoje.

Atividades educativas em saúde com indígenas Warão Manaus – 03.07.2020 Foto.Altemar Alcantara.Semcom

O Brasil vive um genocídio diante da pandemia do novo coronavírus, vitimando especialmente populações indígenas. A avaliação foi feita pelo médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em participação no UOL Debate de hoje.

Segundo Vecina, a resistência às medidas de isolamento social pesaram negativamente no número de mortes do Brasil. Até ontem, o país contabilizava 98.644 mortes causadas pela covid-19.

“Nós resistimos ao isolamento. O presidente (Jair Bolsonaro, sem partido) resistiu ao isolamento. Veio com essa historia do isolamento vertical, que é uma sacanagem. Até hoje não conseguimos proteger as pessoas mais vulneráveis, como o caso dos indígenas”, disse Vecina.

“Estamos promovendo um genocídio com os índios. É um genocídio real. Tem gente se colocando contra o termo ‘genocídio’, mas é real. Está acontecendo nas tribos indígenas do Centro-Oeste”, acrescentou o médico, que cobrou que autoridades sejam “responsabilizadas pelos índios que estão morrendo”.

Fake news atrapalham

Vecina ainda criticou notícias falsas, especialmente a respeito de curas creditadas ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina e oriundas de agentes públicos. Para o médico, as chamadas fake news jogaram contra as medidas de combate à pandemia.

“Temos que buscar responsabilização desses agentes do poder público, que estão enganando o povo. Não tínhamos que ter 100 mil mortes. Tínhamos condições de ter segurado muito mais as mortes do que nós seguramos”, acredita.

Também de acordo com Vecina, “a testagem foi uma questão que trabalhamos muito mal” no Brasil.

“Acho que essa epidemia foi um processo contínuo. Tem coisas que são óbvias: deveríamos ter uma capacidade de testagem maior, mas não tinha teste para vender, depois não tinha máquina para fazer o teste para vender.”

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