Pandemia demonstrou o “papel insubstituível” do professor, diz Gilson Reis

“Tivemos um grande reconhecimento social do nosso trabalho”, diz o presidente licenciado da Contee

A pandemia de Covid-19 impôs condições ainda mais adversas de trabalho para os 2,6 milhões de professores brasileiros. Ao mesmo tempo, houve um “reconhecimento do papel relevante e insubstituível do professor na sociedade”. A opinião é de Gilson Reis, vereador pelo PCdoB de Belo Horizonte (MG) e presidente licenciado da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino).

“Em geral, a docência é uma atividade invisibilizada. Com a pandemia, o papel do professor se tornou mais visível aos olhos da sociedade”, afirmou Gilson ao Vermelho nesta quinta-feira (15), Dia do Professor. “Tivemos um grande reconhecimento social do nosso trabalho e fomos devidamente vistos como uma profissão fundamental, estratégica.”

A Educação foi um dos primeiros setores atingidos pela crise sanitária. Em março, ainda nas primeiras semanas do ano letivo, as escolas foram fechadas, e as aulas presenciais, suspensas. A quarentena evitou, assim, que professores, outros profissionais da Educação e estudantes ficassem expostos ao coronavírus em pleno avanço da pandemia. Mas as boas notícias pararam por aí.

Sem o apoio necessário – e sem experiência anterior em ensino a distância –, quem leciona teve de se reinventar rapidamente. As aulas foram retomadas pela internet – primeiro na rede privada, depois na rede pública. “Não estávamos preparados para assumir a tarefa de ensino-aprendizagem de forma remota. Se você desconhece a forma de organizar esse trabalho, isso aumenta o número de horas trabalhas diariamente”, diz Gilson.

Se desde 2019 os professores já se mobilizavam contra os ataques do governo Jair Bolsonaro à Educação, os desafios se multiplicaram em 2020. Até mesmo o governo federal, por meio de um de seus principais veículos, a Agência Brasil, reconheceu nesta quinta-feira o drama de quem dá aula no País:

“A pandemia de Covid-19 fez com que professores de todo o país trocassem os quadros e as carteiras escolares pelas telas e pelos aplicativos digitais. [Eles] foram obrigados a refazer todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar avaliações, fazer busca ativa de alunos e se aproximar das famílias dos estudantes.”

O Brasil tem 2,2 milhões de professores na educação básica, sendo a maioria – 1,7 milhão – na rede pública. A proporção se inverte no ensino superior. Dos 397 mil docentes em faculdades e universidades, 214 mil estão empregados em instituições privadas. As condições adversas de trabalho são comuns à maioria desses profissionais. Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil ocupa a deplorável liderança no ranking global de agressão aos professores.

A essa realidade se somou o fator Covid-19. Pesquisa feita em parceria pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) escancarou a nova realidade dos professores. Segundo o levantamento, 82% dos docentes afirmam que as horas trabalhadas aumentaram e 69% dizem ter medo e/ou insegurança por não saber como será a volta à normalidade.

Para Gilson Reis, da Contee – que representa professores e trabalhadores técnico- administrativos das instituições privadas de educação –, os problemas não se limitaram ao “sobretrabalho” com as aulas remotas. “O impacto foi grande. Tivemos cortes de salários e demissões em massa em todo o País”, declara. “Há muitos relatos de trabalhos realmente penosos, muito adoecimento.”

Além de retirarem direitos e de não promoverem a capacitação necessária para o ensino a distância, as redes pública e particular impuseram novas despesas para os professores. “Arcamos com o custo de transmissão das aulas para 40, 50 alunos simultaneamente. As escolas não nos deram computadores, telefone ou qualquer tipo de estrutura, nem bancaram os gastos extras com energia e água”, denuncia Gilson.

Em meio a tantas injustiças, os professores, mais uma vez, demonstraram seu valor. Injustiçado pelos empregadores, eles sairão mais reconhecidos da crise. “Renovamos nosso compromisso com os alunos, com as famílias e com a Educação”, diz Gilson. “Foi um sacrifício, mas mantivemos a rédea, a postura. Não nos entregamos.”

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