Para crescer em 2021 é preciso fim do austericídio, diz economista

Na esteira do grave drama social com a pandemia do novo coronavírus, a palavra de ordem para 2021 é incerteza. Tudo dependerá da acomodação política.

Paulo Kliass participa de live do Portal Vermelho

A primeira coisa a fazer para permitir uma retomada da economia em 2021 é romper com o dogma da austeridade econômica, avalia o economista Paulo Kliass, que participou de live do Portal Vermelho nesta terça-feira (15). Kliass fez um balanço da economia em 2020 e falou sobre as perspectivas para o próximo ano. Na esteira do grave drama social com a pandemia do novo coronavírus, a palavra de ordem para 2021 é incerteza. Tudo dependerá da acomodação política.

“Soluções existem [para a economia]. A primeira questão é a gente romper com esse dogma do austericídio. Se você se apegar firmemente à questão da austeridade, que tem que ser seguida de maneira cega e burra pelo Bolsonaro você fica esquecendo da realidade do país”, comentou.

Kliass disse que é “impossível” esperar que um aumento de confiança do mercado estimule o investimento privado e puxe a retomada econômica. “A gente está apostando nessa alternativa há quatro, cinco anos, desde que começou essa ideia do austericídio. Não tem como a gente ficar esperando a Fadinha da Expectativa vir com sua varinha mágica e ‘plim’, agora a economia brasileira volta a crescer”, ironizou. Segundo ele, o investimento, multiplicador da economia, só acontecerá se houver uma recuperação do protagonismo do Estado.

“Se o Estado não der a sinalização de que existem condições, existe vontade política com programas de investimento em infraestrutura, aumento de gasto público nessas questões básicas como saúde, educação, saneamento e mesmo o gasto com os próprios funcionários, não adianta. O gasto do Estado, ao contrário do que querem nos impor os liberais, não é desperdício, não é jogar dinheiro fora. É um recurso que vai dinamizar o processo econômico”, afirmou.

Segundo o economista, apesar da narrativa adotada por Paulo Guedes, a economia não vai bem e só não sofrerá uma retração maior em 2020 devido ao auxílio emergencial, que inicialmente o governo pretendia que fosse no valor de R$ 200. “O Paulo Guedes diz que a economia está bem. Isso é mentira. Em 2019, ele era o superministro da economia, concentrou poderes como nunca antes. Com todo esse poder, com toda aquela expectativa da mudança, ele consegue um ‘pibinho’ de 1,1%, menor que o do Henrique Meirelles”, afirmou.

No terceiro trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos por um país) subiu 7,7%, em um efeito estatístico devido ao fato de ter partido de um patamar anterior muito baixo: o segundo trimestre de 2020 coincidiu com os três piores meses da pandemia. No entanto, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta segunda (14), uma desaceleração da atividade econômica já se desenha em outubro.

De acordo com Kliass, caso nem governo nem Congresso Nacional encontrem uma solução no orçamento para prorrogar o auxílio emergencial e continuar fazendo frente aos gastos com a pandemia – segunda onda e vacina estão no cardápio de 2021 – a situação tende a se agravar.

“Tem uma que é a rainha dessas determinações todas que é a Emenda Constitucional 95 [que instituiu o teto de gastos públicos]. O Brasil é o único país do mundo que colocou na sua constituição um engessamento dessa ordem e que está nos comprometendo até hoje. Mas isso funcionou como uma espada de Dâmocles na cabeça de todo mundo. Do Executivo, do Legislativo. Só a sociedade civil pode se organizar e falar: ‘Nós queremos mais saúde, mais recursos para combater os malefícios da pandemia, nós queremos auxílio emergencial’”, afirmou.

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