A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou nesta quarta-feira (1º de julho) que arrecadou R$ 64,1 milhões em abril com as multas para quem aumentou o consumo de água. O valor é 91% maior do que os R$ 33,6 milhões que a Sabesp deixou de receber ao oferecer bônus aos que reduziram o uso de água no período.
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) desperdiçou mais água tratada com os vazamentos de sua rede de distribuição do que a população conseguiu economizar motivada por bônus e multas.
Após o governador Geraldo Alckmin anunciar sigilo em documentos estratégicos do Metrô, Sabesp e Policia Militar, o Ministério Público Estadual (MPE) abriu quatro inquéritos, no intuito de investigar o desvio de função de servidores públicos. O MPE afirma que o governo tem usado brechas da Lei de acesso à Informação (LAI) para construir manobras jurídicas, impondo o sigilo e garantindo o não acesso da população aos dados de funcionamento dos serviços prestados.
Por Laís Gouveia e Dayane Santos
Nos próximos 15 anos, dados referentes ao cadastro técnico-operacional da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estarão sob completo sigilo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado, no mês de maio. Na semana passada, o governo tucano também colocou sob sigilo informações estratégicas do metrô. Coincidência ou não, as companhias vêm sofrendo denúncias de má gestão e corrupção.
Por Laís Gouveia
As chuvas que caem em São Paulo nos últimos dias podem amenizar colpaso hídrico causado por gestão tucana e tirar de situação crítica as bacias que abastecem os municípios do interior do estado. As águas já aumentaram a vazão da bacia do Alto Atibaia, que abastece Campinas, dos 4,15m³/s registrados ontem para 12,64m³/s.
Entre janeiro e julho deste ano, o número de reclamações por falta de água na capital paulista aumentou 49% em relação ao mesmo período de 2014, chegando à marca de 153,8 mil protestos encaminhados à Sabesp. A pior situação é a de São Mateus, na zona leste, que teve aumento de 238% nas reclamações, indo de 1.405 para 4.750. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação pelo site Fiquem Sabendo e revela que a chamada redução de pressão vem afetando cada vez mais pessoas na cidade.
O professor de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará, Francisco de Assis de Souza Filho, afirmou durante sessão da comissão externa da Câmara dos Deputado, que a transposição do rio São Francisco “é extremamente importante para reduzir os riscos”, mas defendeu a implantação de um plano nacional de prevenção à seca.
Nos próximos dias 20 e 21, a população paulista poderá levar ao Ministério Público do Estado (MP-SP) relatos, documentos, informações ou qualquer outro subsídio que possa auxiliar na instrução de dez inquéritos que investigam as causas, consequências e responsabilidades sobre a falta de água que atinge São Paulo desde o ano passado.
Na semana passada, o jornal espanhol El País publicou uma reportagem bombástica que até poderia ter sido produzida no Brasil – se a mídia nativa não fosse tão chapa-branca e tucana. Assinada pela jornalista Maria Martín, ela mostra que no momento mais dramático da falta de água em São Paulo houve uma explosão dos casos de diarreia no Estado mais rico da federação.
Por Altamiro Borges, em seu blog
A secretaria de saneamento Básico do Município de Mauá (Sama) diz que tem usado caminhões-pipas para garantir o abastecimento em alguns bairros da cidade que fica na região do ABC paulista. De acordo com a autarquia, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reduziu o volume de água para o município dos 1,2 mil litros por segundo (l/s) fornecidos em 2014 para 965 l/s neste ano. Em 2013, os 450 mil habitantes da cidade eram abastecidos com 1,5 mil l/s.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) prepara um novo reajuste para este ano, o terceiro desde dezembro. Desta vez, a companhia quer repassar aos clientes os 7,5% da receita bruta obtida na cidade que é obrigada a depositar no Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura para execução de obras.
Organizações sociais irão mapear acesso e qualidade de água na cidade de São Paulo. A pesquisa que será iniciada neste mês é articulada pelo Coletivo de Luta pela Água, que pretende entregar dossiê sobre a crise hídrica ao Ministério Público de São Paulo e ao relator da ONU, Léo Heller.