O golpe de 31 de março e a farsa de Bolsonaro

Há 56 anos, o Brasil foi sacudido com um golpe militar que retirou da presidência João Goulart. Aquele presidente buscava conduzir uma série de reformas de base – educacional, agrária, bancária, fiscal, urbana, administrativa.

Com as Reformas de Base, Jango apostou na alteração das estruturas da sociedade brasileira que modificasse a extrema concentração de terras e permitisse maior participação política da população. Porém, os anseisos do povo e suas lutas foram cruelmente golpeados no 1o. de abril de 1964, quando setores das Forças Armadas, sob inspiração e apoio do imperialismo norte-americano, com apoio social de setores médios da população mobilizados na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, entraram em ação para depor João Goulart.

Milhares de defensores da democracia foram perseguidos e torturados, centenas deles mortos. Patriotas, democratas, revolucionários organizaram-se em numerosos contingentes de luta nas cidades e no campo, como o pré-existente PCdoB (que organizou a Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará), o MR-8 (com importantes ações de guerrilha nas cidades), a ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em que militaram Dilma Rousseff e Lamarca. O movimento estudantil organizado na UNE e na UBES atuou enquanto pôde, até ser posto na ilegalidade pela ditadura e ter lideranças presas ou desaparecidas.

O povo brasileiro, aos poucos, foi se conscientizando da necessidade da volta da democracia, e isso explodiu nas ruas na colossal campanha das Diretas-Já, de 1984. E não só, mas também a necessidade de uma nova Constituição, que veio, findo o período ditatorial, em 1986-88.
Ainda que, depois disso, sobreviessem anos de gestões de inspiração neoliberal, sob Collor e FHC, o país pôde experimentar mais de uma década sob comando de forças populares, com Lula e Dilma, retirando o Brasil do “mapa da fome” e integrando-o ao cenário de países importantes do globo, como quando conformou com Rússia, Índia, China e África do Sul o bloco BRICS.

Apesar de tantas conquistas políticas, sociais e econômicas, a extrema-direita brasileira, com fundamental apoio do imperialismo norte-americano, logrou eleger um dos piores representantes dos porões da ditadura militar: o misógino e machista tenente expulso do exército Jair Bolsonaro. O mesmo que, deputado pelo Rio de Janeiro, durante a votação do impeachment, homenageou o torturador militar Brilhante Ustra, a quem se referiu como “o terror de Dilma Rousseff”. Ficou impune, apesar do crime de apologia explícita à tortura.

Não satisfeito com isso, ele prossegue a sanha de ódio e preconceito contra as mulheres, a população negra, a população LGBT, contra todo brasileiro ou brasileira que não comungue de seus ideais preconceituosos. Não tem ideias, nem propostas para resolver os grandes problemas do país, e apela para frases de efeito, mentiras e preconceitos.

No dificílimo momento atravessado pela população brasileira atualmente com o coronavirus, o não-presidente faz chamamentos aos trabalhadores para que prossigam na atividade econômica como se nada de anormal estivesse ocorrendo. Ele comete crime após crime. Ele próprio, cuja condição de saúde é incerta, se contaminado ou não, vai ao encontro de seus fanáticos seguidores de cara limpa, como se são estivesse. Um completo irresponsável. Seu governo desmancha-se a olhos vistos. Não prometem mais nada, exceto um PIB de zero por cento!

Esse governo acabou. Cabe ao povo mobilizar-se para tomar em suas mãos os rumos do país!

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