Envolto na primeira crise política, com a demissão do secretário de Governo Custódio Matos, o governo mineiro inicia o segundo semestre apostando todas as suas fichas na aplicação de políticas ultraliberais para tirar o Estado da crise.
Por Wadson Ribeiro*
Nos últimos três meses os estudantes brasileiros, apoiados pelas centrais sindicais, protagonizaram os maiores atos de oposição à Jair Bolsonaro e ao seu governo. A pauta da educação tem sido capaz de mobilizar milhões de professores e estudantes para verdadeiras demonstrações de defesa da ciência e das universidades públicas.
A negação à ciência é uma das características mais marcantes do governo Bolsonaro. Após atacar as universidades públicas e as instituições científicas como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vítima da vez da cruzada obscurantista foi o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro lançou verdadeiros golpes verborrágicos contra várias instituições e personalidades da sociedade brasileira que se opõem ao seu governo. Assim como nas três décadas em que foi deputado federal e colecionou episódios de ataques aos direitos humanos e de exaltação à ditadura militar, essa histeria agora tem como lugar de fala a presidência da República e visa distorcer fatos históricos e fugir dos problemas reais que o Brasil enfrenta.
Uma das marcas mais presentes no governo de Jair Bolsonaro é a sua intolerância com o funcionamento autônomo e independente das instituições de Estado. Valendo-se de argumentos falaciosos, ataca essas instituições com o intuito de desmontá-las e livrar seu governo de quaisquer controle e participação social.
A indicação do nome do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, para o posto de embaixador brasileiro nos EUA, constitui-se como um verdadeiro ato de nepotismo e mancha a imagem da diplomacia brasileira.
Um país cada dia mais dividido. É o que mostra a última pesquisa do Instituto Datafolha, quando analisa a percepção dos brasileiros sobre a realidade política atual. A ausência de um governo forte, com um projeto de nação bem definido e pactuado, mergulha o país numa crise de largas proporções.
Uma importante iniciativa foi tomada há alguns dias em defesa do progresso brasileiro. Todos os ex-ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação dos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e Temer, assinaram um manifesto chamando a atenção sobre os perigos que estas áreas estão enfrentando com os cortes orçamentários e com o verdadeiro desmonte das políticas públicas para o setor.
A crise na economia brasileira que se arrasta há alguns anos e tem aprofundado a situação de calamidade financeira dos estados, trazendo uma nova discussão sobre o pacto federativo.
A enorme força política e eleitoral, que tornou possível a vitória de Bolsonaro nas últimas eleições, apresenta sinais de rápido esgarçamento no início do seu mandato. Crises sucessivas na substituição de ministros e na relação com o Congresso Nacional, uma economia em frangalhos e as manifestações de rua, expressam bem as dificuldades que o governo enfrenta.
As revelações feitas pelo site The Intercept Brasil sobre os diálogos envolvendo o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da República que atuam na Operação Lava-Jato, revelaram uma trama para inviabilizar a candidatura de Lula e acelerar sua prisão, bem como desnudam relações com órgãos da imprensa e setores interessadas na desestabilização do país.
Os cinco meses de governo do presidente Jair Bolsonaro são marcados por factoides que abstraem os verdadeiros problemas vivenciados pela população. Sua agenda moral e armamentista funciona como um amálgama para manter sua base eleitoral unida e mitigar os fracassos econômicos. Na impossibilidade de apresentar resultados concretos para tirar o Brasil da crise, Bolsonaro vive ainda do discurso eleitoral.