Mohamed Badie, guia espiritual da Irmandade Muçulmana egípcia, foi detido nesta segunda-feira (19), em meio a uma escalada repressiva castrense contra manifestações convocadas por essa organização islamita, informou nesta terça-feira (20) a televisão nacional. Seu filho foi morto durante confronto entre os islamitas e a polícia na sexta (16), que foi chamada pela entidade de "dia da fúria".
Algumas imagens do Cairo parecem as de uma cidade em guerra. Depois da violência desatada na passada quarta-feira (14), que deixou mais de 600 mortos e três mil feridos, a tensão não diminuiu. Em um país polarizado, é difícil predizer com certeza o que acontecerá nos próximos dias ou semanas.
Por Dalia González Delgado*, no Granma
Mohamed El-Baradei, que integrava o governo interino do Egito como vice-presidente de Adly Mansour, deixou o Cairo, capital do país, nesta segunda-feira (19), alguns dias depois de pedir demissão, com destino à Áustria. El-Baradei recusou-se a fazer declarações a jornalistas no aeroporto sobre as suas razões para partir, ou sobre a duração da viagem. O ex-vice-presidente ocupou o cargo por apenas um mês, após a deposição do presidente Mohammed Mursi pelo Exército, em 3 de julho.
A União Europeia (UE) afirmou neste domingo (18) que vai rever as relações que mantém com o Egito. Desde quarta-feira (14) o país é marcado por confrontos violentos entre as forças de segurança e manifestantes pró-governo interino contra manifestantes pró-Mohammed Mursi, o presidente deposto pelo Exército em julho. O número de mortos já chega a 750, segundo um balanço não oficial.
Conforme informações do portal de notícias Global Post, o Egito tem sido um dos maiores receptores de itens militares dos EUA, desde aviões F-16 até bombas de gás lacrimogêneo. Portanto, o portal reuniu em uma lista as 10 companhias que mais estão lucrando com a atual crise e intensificação da violência interna no país, entre o Exército e apoiadores do governo interino e os apoiadores do presidente deposto em julho pelo Exército, Mohammed Mursi.
Em meio à crise que se instaurou no Egito desde a deposição do presidente Mohamed Mursi, em 3 de julho, e ao clima de violência que se acentuou nos últimos dias, com a morte cerca de 600 pessoas, os países do Oriente Médio têm opiniões diversas sobre o conflito. Enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos apóiam o Exército, Turquia, Irã e Catar defendem a Irmandade Muçulmana, à qual Mursi pertence.
Líderes islamistas deram por encerrada a jornada de protesto convocada para hoje por uma coalizão de oposição liderada pela Irmandade Muçulmana, após a última oração do dia.
Com centenas de mortos da quarta-feira (14) ainda por sepultar, o Egito prepara-se para um novo dia de protestos nesta sexta (16), depois de a Irmandade Muçulmana ter apelado aos seus manifestantes que saiam à rua para uma “Sexta-feira de Raiva”. Desafiando as críticas internacionais ao massacre desencadeado pela operação policial contra os acampamentos islamistas, o Governo interino avisou que a polícia tem autorização para usar balas reais.
O governo do Egito confirmou nesta quinta-feira (15) a morte de 525 pessoas pela atuação das forças de repressão nas operações da quarta-feira contra os seguidores do deposto presidente Mohamed Mursi.
O presidente do Equador, Rafael Correa, convocou nesta quinta-feira (15) o embaixador equatoriano no Egito, Edwin Johnson López, para prestar esclarecimentos sobre a onda de violência que atingiu o país, matando mais de 500 pessoas em dois dias. Em nota oficial, Quito rechaçou a violência e apelou para o "comprometimento com os valores democráticos".
O governo brasileiro condenou nesta quarta-feira (14) a onda de violência no Egito na repressão aos apoiadores do presidente deposto Mouhamed Morsi. Centenas de pessoas morreram e 2 mil ficaram feridas nos confrontos no Cairo, capital do país, e em outras cidades egípcias, depois da ação policial contra os acampamentos dos defensores de Morsi. Por causa da onda de violência, o governo decretou estado de emergência.
O Ministério da Saúde do Egito divulgou nesta quinta-feira (15) um balanço oficial, para informar que 343 pessoas morreram nesta semana, nos confrontos entre manifestantes e forças policiais. Desde junho, os protestos voltaram a ser frequentes no Egito. Ativistas favoráveis e contrários ao presidente deposto pelo Exército, Mohamed Mursi, se enfrentam nas ruas do Cairo e das principais cidades egípcias. As agências de notícias, entretanto, mencionam números superiores a 500 mortos.