Algumas imagens do Cairo parecem as de uma cidade em guerra. Depois da violência desatada na passada quarta-feira (14), que deixou mais de 600 mortos e três mil feridos, a tensão não diminuiu. Em um país polarizado, é difícil predizer com certeza o que acontecerá nos próximos dias ou semanas.
Por Dalia González Delgado*, no Granma
Mohamed El-Baradei, que integrava o governo interino do Egito como vice-presidente de Adly Mansour, deixou o Cairo, capital do país, nesta segunda-feira (19), alguns dias depois de pedir demissão, com destino à Áustria. El-Baradei recusou-se a fazer declarações a jornalistas no aeroporto sobre as suas razões para partir, ou sobre a duração da viagem. O ex-vice-presidente ocupou o cargo por apenas um mês, após a deposição do presidente Mohammed Mursi pelo Exército, em 3 de julho.
A União Europeia (UE) afirmou neste domingo (18) que vai rever as relações que mantém com o Egito. Desde quarta-feira (14) o país é marcado por confrontos violentos entre as forças de segurança e manifestantes pró-governo interino contra manifestantes pró-Mohammed Mursi, o presidente deposto pelo Exército em julho. O número de mortos já chega a 750, segundo um balanço não oficial.
Conforme informações do portal de notícias Global Post, o Egito tem sido um dos maiores receptores de itens militares dos EUA, desde aviões F-16 até bombas de gás lacrimogêneo. Portanto, o portal reuniu em uma lista as 10 companhias que mais estão lucrando com a atual crise e intensificação da violência interna no país, entre o Exército e apoiadores do governo interino e os apoiadores do presidente deposto em julho pelo Exército, Mohammed Mursi.
Em meio à crise que se instaurou no Egito desde a deposição do presidente Mohamed Mursi, em 3 de julho, e ao clima de violência que se acentuou nos últimos dias, com a morte cerca de 600 pessoas, os países do Oriente Médio têm opiniões diversas sobre o conflito. Enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos apóiam o Exército, Turquia, Irã e Catar defendem a Irmandade Muçulmana, à qual Mursi pertence.
Líderes islamistas deram por encerrada a jornada de protesto convocada para hoje por uma coalizão de oposição liderada pela Irmandade Muçulmana, após a última oração do dia.
Com centenas de mortos da quarta-feira (14) ainda por sepultar, o Egito prepara-se para um novo dia de protestos nesta sexta (16), depois de a Irmandade Muçulmana ter apelado aos seus manifestantes que saiam à rua para uma “Sexta-feira de Raiva”. Desafiando as críticas internacionais ao massacre desencadeado pela operação policial contra os acampamentos islamistas, o Governo interino avisou que a polícia tem autorização para usar balas reais.
O governo do Egito confirmou nesta quinta-feira (15) a morte de 525 pessoas pela atuação das forças de repressão nas operações da quarta-feira contra os seguidores do deposto presidente Mohamed Mursi.
O presidente do Equador, Rafael Correa, convocou nesta quinta-feira (15) o embaixador equatoriano no Egito, Edwin Johnson López, para prestar esclarecimentos sobre a onda de violência que atingiu o país, matando mais de 500 pessoas em dois dias. Em nota oficial, Quito rechaçou a violência e apelou para o "comprometimento com os valores democráticos".
O governo brasileiro condenou nesta quarta-feira (14) a onda de violência no Egito na repressão aos apoiadores do presidente deposto Mouhamed Morsi. Centenas de pessoas morreram e 2 mil ficaram feridas nos confrontos no Cairo, capital do país, e em outras cidades egípcias, depois da ação policial contra os acampamentos dos defensores de Morsi. Por causa da onda de violência, o governo decretou estado de emergência.
O Ministério da Saúde do Egito divulgou nesta quinta-feira (15) um balanço oficial, para informar que 343 pessoas morreram nesta semana, nos confrontos entre manifestantes e forças policiais. Desde junho, os protestos voltaram a ser frequentes no Egito. Ativistas favoráveis e contrários ao presidente deposto pelo Exército, Mohamed Mursi, se enfrentam nas ruas do Cairo e das principais cidades egípcias. As agências de notícias, entretanto, mencionam números superiores a 500 mortos.
A presidência interina egípcia proclamou nesta quarta-feira (14) às 16h10, hora local, o Estado de Emergência por um mês, em meio ao recrudescimento dos enfrentamento com leais ao derrocado presidente Mohamed Mursi.