Ela tem cabelos trançados e roupas simples. Na multidão em Porto Príncipe, Martine Gestimé passa despercebida, mas ela traz um relato chocante. Pela primeira vez, uma mulher com rosto, nome e sobrenome resolve denunciar um soldado brasileiro no Haiti. Martine diz ter sido estuprada por um militar do Brasil em junho de 2007
Um dos temas mais controversos da Minustah (tropas da ONU): a responsabilidade pela disseminação do surto de cólera que se abateu sobre o país e matou quase 10 mil pessoas. Em entrevista, o professor Ricardo Seitenfus fala sobre a "mancha na história das Nações Unidas com seus membros mais frágeis como é o caso do Haiti"
O Brasil encerrou nesta quinta-feira (31) sua presença militar no Haiti, apesar da persistente pobreza e aumento da violência no país. Brasília liderou, durante 13 anos, a Missão das Nações Unidas para a Manutenção da Paz no Haiti (Minustah), criada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O jornalista Luiz Sugimoto (Jornal da Unicamp) entrevistou Marília Lima Pimentel Cotinguiba, professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e pós-doutoranda do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, que pesquisa o drama dos refugiados haitianos desde 2011.
Recordo com profunda gratidão a perseverança do cartunista espanhol Forges, reiterando em suas vinhetas a tragédia do Haiti, e a de muitos seres humanos depois de catástrofes naturais ou provocadas, mostrando as circunstâncias de extrema pobreza e o desamparo no qual milhões de pessoas vivem todos os dias, sem que ninguém preste a menor atenção, pois consideram isso “algo natural e inevitável”.
Por Federico Mayor*, no Publico
O empresário Jovenel Moïse, de 48 anos, tomou posse nesta terça-feira (7) como presidente do Haiti, cargo que ocupará nos próximos cinco anos, em cerimônia realizada no parlamento do país.
Mesmo após sete anos da tragédia, o Haiti ainda enfrenta inúmeros problemas causados pelo terremoto que devastou o país em 12 de janeiro de 2010. Milhares de pessoas ainda estão desabrigadas, vivendo em condições precárias e enfrentando surtos de doenças.
O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti declarou nesta terça (3) o empresário Jovenel Moise, do Partido Haitiano Tet Kale (PHTK), como vencedor das eleições presidenciais de 20 de novembro do ano passado.
O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti pospôs para 3 de janeiro a publicação dos resultados definitivos das eleições gerais do dia 20 de novembro. A decisão está em um comunicado divulgado hoje onde se diz que os resultados não serão divulgados nesta quinta-feira, como se tinha reiterado em várias oportunidades.
A crise política haitiana mantém-se sem solução e promete continuar alongando-se indefinidamente com o risco de complicar-se ainda mais. As eleições de 20 de novembro criaram expectativas, mas os resultados informados na última sexta-feira pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) foram questionados pelas forças de oposição.
As eleições para presidente e renovação de parlamentares no Haiti, que deveriam ter sido realizadas em 9 de outubro, foram realizadas neste domingo (20). Elas ocorrem sob o contexto de grave crise humanitária por conta do Furacão Matthew, que atingiu o Caribe e o sul dos Estados Unidos nas primeiras semanas de outubro, e deixou mais de 500 mortos no país caribenho que é o mais pobre das Américas.
Num palco onde as guerras coloniais e seus horrores decorrem como uma história cotidiana e ninguém se detém a imaginar o que significam estes novos genocídios do século XXI para os milhões de sobreviventes que perderam tudo, parece impossível que o olhar se volte para o Haiti.