A ajuda a Haiti conduzida pelos EUA começa a parecer idêntica ao criminosamente lento e desorganizado apoio do governo norte-americano a New Orleans após a devastação pelo furacão Katrina em 2005.
Por Patrick Cockburn*, no The Independent
O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta quarta-feira (20) que seu Governo pedirá às Nações Unidas uma reunião de emergência para "repudiar e rejeitar a ocupação militar dos Estados Unidos" no Haiti.
Um novo tremor atingiu o Haiti na manhã desta quarta-feira (20). Segundo informações do Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA, o tremor foi de 6,1 graus na escala Richter, mas ainda não há informações de feridos e prejuízos causados pelo terremoto.
Numa cena carregada de simbolismo, cerca de 20 helicópteros Black Hawk, do exército norte-americano, aterrissaram nesta terça (19) no gramado do que restou do palácio presidencial em Porto Príncipe, destruído pelo terremoto. Tropas fortemente armadas ocuparam o edifício e deram início à montagem de uma base avançada, estocando centenas de caixas de equipamentos, água e comida sob um pesado esquema de segurança. "Ajuda humanitária ou ocupação?" É o que muitos se perguntam.
Em menos de 24 horas, o cadastro de voluntários para ajudar ao Haiti, disponibilizado no site da Secretaria da Saúde do Estado já recebeu dezenas de acessos. São profissionais de nível médio e superior interessados em participar das ações humanitárias de saúde à população do Haiti, devastado por terremoto no último dia 12.
Os trabalhadores da Bahia também vão colaborar com as vítimas do terremoto no Haiti. Na tarde desta terça-feira (19/01) a seção estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em parceria com entidades sindicais e sociais, lançou oficialmente o Comitê Baiano de Solidariedade ao povo haitiano, que vai fazer uma grande campanha de arrecadação de recursos para a população do país caribenho.
A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou.
Por Eduardo Galeano, em resistir.info
Muito tempo antes do terremoto, a situação do Haiti já era comparável à de muitos sem-teto nas ruas de grandes cidades dos EUA: pobres demais e negros demais para ter os mesmos direitos concretos que outros cidadãos.
Por Mark Weisbrot*, em Folha de S.Paulo
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) seção Bahia lança nesta terça-feira (19/01) o Comitê Baiano de Solidariedade ao povo haitiano, vítima de um terremoto na semana passada, além de uma campanha de arrecadação de donativos. O evento acontece às 16h, no Sindicato dos Bancários da Bahia, em Salvador.
O povo do Haiti precisa de solidariedade. O terremoto do dia 12 provocou a maior tragédia humana da história do país.
Por trás do sincero discurso de ajuda às vítimas da tragédia haitiana, há um jogo de interesses nacionais cada vez mais explícito, afirma o professor de relações internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser. Foi assim na ajuda aos países afetados pelo tsunami de 2004 ou pelo furacão Mitch, de 1998. "Com a ajuda humanitária, vem o direcionamento político", argumenta. Leia abaixo a entrevista concedida a O Estado de S.Paulo.
Nas horas seguintes ao terremoto que devastou o Haiti, CNN, New York Times e outras importantes agências de notícias adotaram a mesma interpretação para a grave destruição: o terremoto de 7 graus foi tão devastador porque atingiu uma zona urbana extremamente povoada e pobre. Casas “construídas umas em cima de outras” e feitas pelo próprio povo pobre fizeram da cidade um local frágil.
Por Carl Lindskoog*, em Opera Mundi