Não eram apenas soldados, cavalos e estilingues. Também eram bombas de gás lacrimogênio e outros gases, escudos e cassetetes para a multidão de soldados desmontados e vestindo aqueles assustadores uniformes de combate, viaturas e carros-pipa do Corpo de Bombeiros prontos para esguichar água.
Uma questão chave para que a grande burguesia brasileira domine ainda mais plenamente o Estado e promova a reconversão do Brasil ao neoliberalismo (com radicalidade maior com que o fez FHC) e seu realinhamento externo em direção aos EUA, não é apenas impedir a presidente Dilma Rousseff e colocar no Planalto um preposto subserviente.
Não quero afirmar, mas suspeito, pelo que se vê no Senado, que em pouco mais de duas semanas a presidente eleita Dilma Rousseff deixará a Presidência da República. Estará completo o golpe parlamentar, judicial e midiático a serviço da grande burguesia brasileira.
A bancada federal do PCdoB – seja na Câmara, seja no Senado – vem se destacando pela lucidez e coragem na defesa da institucionalidade democrática comprometida pelo golpe cometido contra o mandato da presidente Dilma Rousseff.
Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo e que recentemente assumiu a Secretaria Municipal de Educação, milita nas fileiras do PCdoB desde 1978, um ano antes de se formar em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós. De família de classe média, encontrou a política logo que ingressou no curso superior.
Os que defendem a proposta de eleições presidenciais antecipadas ou mesmo aqueles que sugerem a realização de um plebiscito a respeito, estão afirmando essencialmente o seguinte:
A presidente Dilma Rousseff, que se mantém em luta contra o golpe que a afastou da Presidência, merece todo o apoio das forças democráticas brasileiras.
Ouço de alguns, nesses dias tormentosos, que tudo está perdido, que as cartas estão marcadas no Senado e já se deve contar, inapelavelmente, com a consumação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Seja qual for o cenário decorrente da admissibilidade, pelo Senado Federal, do pedido de impeachment, o protagonismo da presidente Dilma Rousseff será crucial.
No último dia 22, a presidente Dilma Rousseff discursou na ONU, diante de mais de 100 chefes de Estado, na cerimônia de assinatura do acordo global sobre o clima.
“Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor”.
“Luís Inácio”, de Herbert Vianna
O expediente do “impeachment” contra a presidente Dilma Rousseff “é pura e simplesmente o biombo que escamoteia o verdadeiro golpe, cujo objetivo declarado é a construção de um governo necessariamente repressivo porque essencialmente reacionário, antipovo e antinacional”, escreveu Roberto Amaral em seu artigo “O assalto à soberania popular”, veiculado pela revista Carta Capital.